segunda-feira, 25 de abril de 2016

DIVALDO FRANCO: "A VIDA É UMA BÊNÇÃO DE DEUS, SEJA ELA COMO FOR"

Brasil
Ano 10 - N° 462 - 24 de Abril de 2016
PAULO SALERNO
pgfsalerno@gmail.com
Porto Alegre, RS (Brasil)
 

Em rápida passagem pelo Rio Grande do Sul, o orador
falou, no início de abril, aos espíritas de Santa
Cruz do Sul, Santa Maria e Pelotas
A cidade de Santa Cruz do Sul recebeu carinhosamente, no dia 5 de abril, como de hábito, o Embaixador da Paz no Mundo Divaldo Pereira Franco. O minisseminário, cujo tema foi “Vida: Desafios e Soluções”, foi realizado no In Side Eventos para um público de 1.400 pessoas. Foram promotores desse evento a Sociedade Espírita A Caminho da Luz e a Associação Espírita Francisco de Assis. Enquanto atendia às solicitações de autógrafos, Divaldo concedeu uma entrevista para o jornal A Gazeta do Sul.
Em gratidão, Divaldo Franco foi homenageado pelos 30 anos de atividades incessantes em Santa Cruz do Sul. Seu primeiro trabalho na cidade foi no ano de 1986. Esse período foi relembrado através de um vídeo destacando os memoráveis eventos. Foi um gesto de reconhecimento e de agradecimento à dedicação e ao carinho que Divaldo sempre dispensou aos santa-cruzenses. A primeira homenagem, uma placa assinalando a data, foi-lhe entregue por um grupo de jovens da Sociedade Espírita A Caminho da Luz.
 
A segunda homenagem partiu da Câmara de Vereadores, que lhe concedeu o Título de Cidadão Santa-Cruzense, por unanimidade, em 4 de abril de 2016. Para lhe entregar o Título Honorífico estiveram presentes os vereadores Alceu Crestani, presidente; Nasário Eliseu Bohnen, vice-presidente; e Hildo Ney Caspary, proponente do título. A comunidade de Santa Cruz do Sul reconheceu a importância das atividades desenvolvidas pelo homenageado em prol do bem-estar material e espiritual. Carinho, gratidão, agradecimento e reconhecimento foram os motes para tal honraria.
 
A mesa diretiva foi composta por Álvaro Figueiredo, presidente da União Municipal Espírita de Santa Cruz do Sul; Francisco Ferraz, assessor jurídico da Federação Espírita Brasileira; e Carlos Junges, presidente da Sociedade Espírita A Caminho da Luz.
   
Divaldo agradeceu aos distintos edis, reconhecendo não merecer a honraria, mas sendo grato pelo carinho e pelo desvelo com que é recebido em Santa Cruz do Sul, afirmando que as palavras são muito pobres para traduzir as emoções que experimentava naquele momento. O grande agraciado, no entanto, é – disse ele – o insigne Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, visto que, conhecendo e adotando a Doutrina Espírita, Divaldo se reconhece como um simples trabalhador do Cristo. Externou, então, aos edis a sua profunda gratidão, respeito e a
honra de colaborar com Santa Cruz do Sul.  
Iniciando o seminário, Divaldo apresentou vários conceitos e entendimentos sobre a vida, desde Aristóteles até os dias atuais, passando pelas definições de vários segmentos filosóficos e de naturalistas, cientistas e pensadores, entre outros. O Universo é um grande pensamento que se expande e se contrai constantemente. É o hálito de Deus, é um estado luminífero que está presente desde as micropartículas até o macrocosmo.
George Ivanovich Gurdjieff e seu discípulo Peter Ouspensky classificavam os indivíduos e a vida em dois aspectos: 1) A categoria formada pelas pessoas fisiológicas. São as que comem, dormem e se reproduzem; 2) as psicológicas: que cultivam sentimentos e emoções, além das três ações anteriormente citadas.
Emilio Mira y Lopez afirma, que do ponto de vista psicológico, a vida do ser humano, que difere de qualquer outra, é constituída de cinco características: Personalidade – do nome, aos comportamentos; Conhecimento – as aquisições intelecto-morais; Identificação – as afinidades; Consciência – quando o ego toma ciência dos conteúdos psicológicos de que é portador, segundo Carl Gustav Jung; e Individualidade – o ser senciente.
No nível de consciência o indivíduo estagia, experienciando a vida, ao longo de sua jornada evolutiva em uma dessas faixas crescentes, em busca do aperfeiçoamento: 1. Consciência de sono sem sonhos; 2. Consciência desperta; 3. Consciência do corpo – que como máquina humana se subdivide em funções, conforme a seguir; 4. Consciência de Si mesmo; e 5. Consciência Cósmica – é o Cristo que vive no indivíduo. O corpo, como máquina, se apresenta segundo as funções intelectivas; emotivas; de movimento; o instinto; polaridade feminina e masculina – anima e animus; emotiva superior; e intelectiva superior. “A vida é uma bênção de Deus, seja ela como for”, afirmou o orador.
O maior desafio da criatura humana é a própria criatura humana. Apresentando histórias ilustrativas, Divaldo destacou a necessidade de os seres humanos se amarem, respeitando as diferenças, convivendo de tal forma que as imperfeições, de ambas as partes, não causem transtornos de relacionamento. Cada ser deve desenvolver o perdão, não devolvendo a agressão, o mau caratismo, o ódio, a calúnia etc., mas fazendo todo o bem que estiver ao seu alcance. Como solução, deve cada qual desenvolver a mudança de hábitos, mudando-os em si mesmo de forma permanente. A vida deve ser dinâmica. O importante não são os desafios, mas as soluções que precisam ser construídas. Reflexione: como é a tua vida? Indagou o Embaixador da Paz no Mundo. És tolerante? Agradável? Exigente? Amoroso? Raivoso? Rancoroso? Jovial? Grato?
Repartindo ensinamento recebido de Sathya Sai Baba, Divaldo sugeriu que se roguem bênçãos para a mente a fim de que se possa pensar retamente. Que o coração seja abençoado para nutrir bons sentimentos. Que a boca receba bênçãos para falar retamente. Exortou a que cada um aceite os desafios existenciais, descobrindo o sentido da vida, valorizando os bons momentos, a felicidade, a alegria, o amor, não valorizando em demasia os sofrimentos, os momentos maus.
A vida é formada por desafios, que devem ser enfrentados. Superá-los é um dever, encontrando soluções. Vale a pena viver intensamente, enfrentando os desafios, adornando a vida com esperança, alegria, transformando-se de dentro para fora. Ter aflições é natural ainda, porém não sofrer com elas é um dever. Deve-se enfrentá-las racionalmente. Ser feliz é um direito que Deus dá a cada um de Seus filhos.
Finalizando o brilhante trabalho, externou seus agradecimentos por tudo que lhe é ofertado, e a todos pelo trabalho que realizam em prol de um mundo melhor, e a gentileza da presença amiga. Ainda lecionando, estimulou que cada um tenha como dever a eleição do que não gostaria de fazer, renovando-se todos os dias para melhor. Colocando-se de pé, o público aplaudiu generosamente o orador gentil e dedicado, afável e amoroso, renovando-lhe o entusiasmo e as energias. 
Transtornos psiquiátricos e obsessivos foram o tema da conferência proferida em Santa Maria 
As atividades em Santa Maria (RS) realizaram-se no dia 6 de abril. Em chegando à cidade, Divaldo foi diretamente para os estúdios da RBS-TV, concedendo entrevista para o jornal Diário de Santa Maria e, na TV, para o Jornal do Almoço. Os assuntos, entre outros, focalizaram a crise política, os crimes morais, a defesa dos valores éticos e da moralidade, a exigência dos direitos nos governos arbitrários e na participação do povo nas decisões nacionais, a sensação da falta de tempo, a ansiedade, o bem-estar psicológico, mental e emocional, a fé raciocinada, conviver amando, e a alegria de estar vivo no Universo maravilhoso.
Tão logo chegou ao Ginásio Poliesportivo do Clube Dores, local da conferência, Divaldo foi entrevistado pelo jornal A Razão. A entrevista girou em torno da crise econômica e política no Brasil, o sentido da vida e uma mensagem de esperança e confiança aos santa-marienses, em particular aos familiares das vítimas o incêndio ocorrido na Boate Kiss. Pouco antes da conferência, a TV Pampa entrevistou o orador, que falou então sobre a Doutrina Espírita, a responsabilidade, os direitos humanos e o processo de crise que se opera na atualidade, realizando mudanças para melhor.
O Grupo de Música Espírita Arte e Luz apresentou-se executando lindas melodias, que irradiaram harmonia e paz, preparando o ambiente para a atividade de divulgação da Doutrina Espírita. A mesa diretiva foi composta pela presidente do Conselho Regional Espírita da 4ª Região da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, Maria da Glória da Silva Alves; a presidente da União Municipal Espírita, promotora do evento, Fátima Lorenzi; o presidente da Cruzada dos Militares Espíritas, Teltz Farias Cardoso, além do conferencista.
Para um público muito atento, estimado em aproximadamente 4.500 pessoas, Divaldo discorreu sobre os transtornos psiquiátricos e obsessivos. Com o advento da Revolução Francesa, sob os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, o médico francês Dr. Philippe Pinel, considerado por muitos o Pai da moderna Psiquiatria, libertou os 53 pacientes com distúrbios mentais que se encontravam presos em uma masmorra no Hospital Bicêtre, para dar-lhes um tratamento mais humano, restituindo-lhes a dignidade. Pinel revolucionou essa Ciência, a Psiquiatria. Criou uma abordagem psicológica mais humana no atendimento e nos cuidados aos pacientes psiquiátricos, chamada atualmente de terapia moral. Ganhou notoriedade por ter considerado que os seres humanos que sofriam de perturbações mentais eram doentes e que, ao contrário do que acontecia na época, deveriam ser tratados como doentes e não de forma violenta. Iniciava-se uma era nova para a compreensão do funcionamento do cérebro humano.
Outro cientista dessa área contribuiu para o aprofundamento do conhecimento. Trata-se de Paul Pierre Broca, cientista, médico, anatomista, descobridor do centro de uso da palavra no cérebro humano. A ciência avançava. Charles Robert Richet, fisiologista francês, descobridor da soroterapia, criou a Metapsíquica e recebeu o Nobel de Fisiologia em 1913. A depressão, como hoje, já se apresentava agressiva naqueles tempos. Aliados aos tratamentos psiquiátricos estão os fármacos que tanto têm ajudado o homem enfermo a encontrar o seu equilíbrio.
O ideal, disse o nobre conferencista, é desenvolver estruturas psicológicas para poder suportar os reveses da vida. O grande desafio que os indivíduos devem enfrentar é a descoberta de um sentido para a vida. Vida que é possuidora de uma causalidade. O grande objetivo do homem é amar, é construir uma sociedade calcada nos padrões de amor. O importante é não ser inimigo de quem quer que seja.
Apresentando as observações de Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, Divaldo discorreu sobre os transtornos de natureza obsessiva, com causas e efeitos. Cada indivíduo infrator à Lei Divina deve buscar saldar os seus débitos espirituais através do amor que possa oferecer ao outro. A ética da vida é o amor.
Finalizando seu brilhante trabalho, Divaldo Franco deixou uma mensagem de alegria, lembrando que aqueles que se transferiram para o mundo espiritual continuam amando. É necessário que os indivíduos desenvolvam o autoamor. Após recitar o Poema da Gratidão, Divaldo foi vibrantemente aplaudido pelo público que se postou de pé. Os autógrafos, que Divaldo gentilmente concedeu na sequência, entretecendo comentários, se seguiram até as 23h. 
Com a conferência feita em Pelotas no dia 7, Divaldo concluiu a rápida passagem por terras gaúchas 
Divaldo Franco, em chegando ao histórico Theatro Guarany, de Pelotas (RS), local da conferência, foi entrevistado por Fernanda Puccinelli, da TV Cidade – Pelotas. Foram abordados assuntos como os resultados alcançados pela Mansão do Caminho, obra social do Centro Espírita Caminho da Redenção; as migrações atuais; a brasilidade e a miscigenação; a crise e sua possível solução; o encantamento de Divaldo por Pelotas, entre outros. Divaldo deixou uma mensagem de otimismo, dizendo que vale a pena viver e amar.
Em uma promoção do Conselho Regional Espírita da 5ª Região da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, e estando presentes várias caravanas vindas de 22 cidades da região, de três Estados e de três países, Divaldo lembrou ao público, estimado em 1.500 pessoas, o  caráter impermanente da vida e as situações que o homem experimenta em sua jornada evolutiva, na qual ora se percebe harmônico, feliz, e inesperadamente se identifica em uma situação perturbadora.
Detentor de conhecimentos científicos de alta tecnologia, propiciadores para investigar as micropartículas e o macrocosmo, o homem hodierno ainda não foi capaz de penetrar em seu próprio âmago, conhecendo-se, compreendendo-se, bem como a própria sociedade em que vive, embora exteriorizando sentimentos de compaixão, de solidariedade.
Uma gama de excelentes pensadores, ao longo da história da humanidade, tem propiciado aos indivíduos o desenvolvimento de um maior grau de lucidez. Por outro lado, o desenvolvimento de valores internos oferece ao homem a plenitude. É nessa criatura paradoxal, destacou o nobre conferencista, que Deus está erguendo o santuário da paz, da felicidade.
Divaldo Franco, inspirado como de hábito, narrou em seguida, com sentida emoção, uma história de amor e de superação. Archibald Joseph Cronin, escritor escocês, era formado em Medicina. Na sua atividade de médico recém-formado, e desejando fazer o bem, escolheu uma noite por semana para auxiliar as crianças órfãs e desafortunadas. Em uma dessas noites, após procedimento cirúrgico bem-sucedido, com o auxílio de uma enfermeira igualmente inexperiente, foi surpreendido pelo óbito de sua pequena paciente, que sofria severa doença respiratória.
A enfermeira, que deveria ficar de vigília toda a noite, dormiu. A pequena paciente havia inadvertidamente retirado a cânula pela qual respirava. O médico fez um relatório ao órgão fiscalizador da profissão, responsabilizando a enfermeira recém-diplomada. Algo, porém, fez com que o médico não entregasse o seu relatório. Passaram-se os anos. Um artigo de jornal despertou a curiosidade do escritor. Buscou averiguar e localizar a mulher que levava o epíteto de o Anjo da Noite.
A vida para uns é mansa, para outros é severa. O Anjo da Noite cuidava de crianças órfãs. Velava pelo sono de seus pacientes. Não dormia. Resgatava vidas por causa daquela vida. A enfermeira redimia-se perante a sua própria consciência. O escritor e médico pôde constatar que um gesto baseado na ira pode aniquilar uma existência, mas se o gesto for alicerçado no amor pode salvar inúmeras vidas.
Jesus Cristo veio trazer a esperança. Ensinou o amor para que a vida tivesse um significado. Suas doces palavras embelezam a vida, fortalecendo todo aquele que Nele crê. Quem aprende a amar não necessita perdoar, pois que não se ofende. Na marcha da humanidade há situações e episódios lamentáveis, mas há, também, fatos de grande relevância e significado, desde grandes cometimentos, até os singelos que produzem seus efeitos no amor, e são significativos aos que experimentam amar, tanto quanto aos que são amados.
O orador de escol destacou a singeleza de o Evangelho do Cristo, as promessas da vinda do Consolador, a lição inigualável e amorosa de Francisco de Assis e os mártires cristãos. A verdadeira felicidade é quando o indivíduo imola suas imperfeições em favor do próximo. Francisco de Assis preparou o século XVI para que a religião se apartasse da ciência. No século XVII o homem se libertou da fé para encontrar a razão. No século XVIII a razão libertou a criatura humana. No século XIX as luzes da ciência desceram à Terra como catadupas de estrelas e o ser humano abandonou a matéria para entrar nos arcanos divinos. Nos séculos XX e XXI o ser humano viaja em bólidos espaciais para o infinito das dimensões das galáxias. Porém, não alcançou a mesma evolução de natureza moral, porque não conseguiu dosar com equilíbrio a razão, a bondade e a ternura.
O Espiritismo apresenta a imortalidade de forma inigualável, oferecendo ao homem o caminho mais suave para alcançar a plenitude. É necessário possuir coragem para amar. O ódio é o amor que enlouqueceu. Em o amor encontra-se a chave para a plenitude. A atualidade é de crises. Crise pessoal, nacional e internacional. É importante não se deixar abater e se contagiar com cargas energéticas negativas advindas das crises. O amor deve ser experimentado sem reservas, com entrega total, amando-se e amando ao próximo.
Finalizando, afirmou que as experiências até agora colocadas em prática não deram certo. “Experimentemos, pois, propôs Divaldo Franco, o amor. Cada um deve estar atento para descobrir os invisíveis da sociedade humana. São os desvalidos, os marginalizados de toda ordem, os indigentes, os que experimentam aflições ocultas.” A proposta de o Evangelho de Jesus é estender as mãos aos invisíveis, utilizando-se dos ensinamentos da Doutrina Espírita e seus postulados libertadores.
Com o Poema de Gratidão, de Amélia Rodrigues, Divaldo encerrou a notável conferência, sendo aplaudidíssimo no final, estando o público de pé.  
Fonte: O Consolador uma Revista Semanal de Divulgação Espírita
 
Notas do autor: 
As fotos desta reportagem são de Jorge Moehlecke.
 

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