quinta-feira, 3 de maio de 2012

Suicídio e aborto de anencéfalos



Luiz Carlos Formiga
Suicídio e aborto
de anencéfalos

Os anencéfalos necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento
reconduza-os ao mundo espiritual
 
Com tristeza recebemos do Supremo Tribunal (STF), na decisão sobre anencefalia, o placar de 8 a 2. Embora o Brasil tenha hoje um expressivo número de espíritas, ainda não somos capazes de influenciar e ajudar ministros.
O que liga o comportamento suicida ao aborto de anencéfalos?
São dois temas que não eram muito discutidos nas Casas Espíritas, embora encontrássemos nelas cartazes da FEB, incluindo a eutanásia e as drogas.
O que liga o aborto de anencéfalos aos suicídios são os casos de suicídio cometidos a partir de altos edifícios, em prédios como o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. (1,2)
Através da mediunidade recebemos informações que nos ajudam a refletir. Na noite de 11 de abril de 2012, quando o Supremo Tribunal estudava a questão do aborto do anencéfalo, o Espírito Joanna de Ângelis (1) nos recorda que: “nada no universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia. De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se”.
Joanna comenta a deserção do ser revoltado diante de problemáticas que parecem não ter solução, explicando que “desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que considera injustas e, dominado pelo desespero, foge através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degradam, entre os quais o nefando suicídio”. Na “imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado mediante quedas espetaculares de edifícios desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila…”. 
Interromper o desenvolvimento do feto no útero
materno é crime hediondo em relação à vida
 
No dia 12 de agosto de 2011, estivemos num simpósio na UERJ (2). Quando lá chegamos observamos a comunicação visual, no hall dos elevadores, unindo arquitetura e prevenção.
“Torre Eiffel. 370 pessoas se suicidaram de 1898 até 1971. Foram colocadas grades protetoras.”

“Reichstag (Berlim). Novas barreiras de segurança e aumento do efetivo policial para evitar os frequentes suicídios que ocorrem da sua cúpula.”
“Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução. É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.” (1)
Joanna de Ângelis assevera: “muitos desses assim considerados (anencéfalos), no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral. Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos”.

Por causa do erro médico, o Conselho Federal de Medicina criou uma comissão especial para normatizar o diagnóstico de fetos anencéfalos. O grupo tem dois meses para estabelecer os critérios. (3)
Além disso, o Brasil contará com mais 30 hospitais para atender à demanda. (4)
Por outro lado, mesmo os verdadeiros anencéfalos, diz Joanna de Ângelis, “necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento reconduza-os ao mundo espiritual. Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual…
Não se trata de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo. 
Poderíamos dizer que, na política do aborto, o que se
deseja é “desumanizar” o embrião
 
Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.
Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.
Essa foi também uma das preocupações do ministro Lewandowski: “abriria portas para a interrupção da gravidez de inúmeros embriões” (5) e torna válida a questão que fizemos anteriormente: e depois dos anencéfalos? (6)
Joanna adverte-nos: “… e quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral. Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade…
A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável”.
Poderíamos dizer que, na política do aborto, o que se deseja é “desumanizar” o embrião. (7)

Joanna apela: “compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se. Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias? Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia”.
A dependência química é capaz de, por si só,
desestruturar o modelo organizador biológico
 
Toda criança anencéfala é um Espírito reencarnado? (8)
Em “O Cirurgião e a Doença da Negação” (9) comentamos a dificuldade do médico diante do alcoolismo e dissemos que o final poderia ser diferente. Conta ele que tinha mania de arma, fez tiro ao alvo. Um dia o filho tirou tudo de casa, porque ele estava com a intenção de dar um tiro na cabeça. A dependência química, não só pelo álcool, é também capaz de, por si só, desestruturar o modelo organizador biológico e por isso levar a quadros que, sem o devido critério, poderiam, à primeira vista, ser diagnosticados como anencefalia. Imagine isso agravado pelo tiro no crânio. Joanna comenta que o autocídio por arma de fogo oferece os mesmos efeitos das quedas espetaculares dos edifícios ou de abismos.

Depois desta decisão do STF, creio que deveremos adotar uma “caderneta de preces especiais”, como aquela de Divaldo P. Franco, onde ele colocou “o suicida do trem”. (10)

 
Fontes:

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita
 


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