sábado, 15 de dezembro de 2012

Pátria do Evangelho: fatos singulares


 
O planejamento espiritual se desenvolve em longos períodos. Nunca é apressado. Ocorre de forma quase imperceptível para os encarnados.

Humberto de Campos, Espírito1, indica que Jesus visitou os céus do Brasil entre os anos 1375 e 1400.

Associando o que se narra nos dois próximos itens, vemos que essas ocorrências curiosas não foram casuais. São desdobramentos de ações planejadas.

1. O livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho1recebido em 1938 – indica que foi “(...) no último quartel do século XIV que o Senhor desejou realizar uma de suas visitas periódicas à Terra, (...)”. 

E o fez em companhia de grande caravana de Anjos, entre os quais Helil (Ismael), a quem recomendou ser “(...) o zelador dos patrimônios imortais que constituem a Terra do Cruzeiro”. 

“— Para esta terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e de amor. No seu solo (...) todos os povos da Terra aprenderão a lei da fraternidade universal.” 

“Foi por isso que o Brasil, onde confraternizam hoje todos os povos da Terra (...), trazia já, em seus contornos, a forma geográfica do coração do mundo.” 

2. Em livro escrito em 19362, o sociólogo e historiador Sérgio Buarque de Holanda assinala:
“No Brasil, a exploração litorânea praticada pelos portugueses encontrou mais uma facilidade no fato de se achar a costa habitada de uma única família de indígenas, que de norte a sul falava um mesmo idioma. É esse idioma, prontamente aprendido, domesticado e adaptado em alguns lugares, pelos jesuítas, às leis da sintaxe clássica, que há de servir para o intercurso com os demais povos do país, mesmo os de casta diversa. Tudo faz crer que, em sua expansão ao largo do litoral, os portugueses tivessem sido sempre antecedidos, de pouco tempo, das extensas migrações de povos Tupis (...).
O estabelecimento dos Tupis-Guaranis pelo litoral parecia ter ocorrido em data relativamente recente, quando aportaram às nossas costas os primeiros portugueses. (...)

“Ainda depois de iniciada a colonização portuguesa, vamos assistir a uma nova extensão dos Tupis, esta alcançando o Maranhão e as margens do Amazonas. (...)

“E é significativo que a colonização portuguesa não se tenha firmado ou prosperado muito fora das regiões antes povoadas pelos indígenas da língua geral. Estes, dir-se-ia que apenas prepararam terreno para a conquista lusitana. Onde a expansão dos Tupis sofria um hiato, interrompia-se também a colonização branca, salvo em casos excepcionais (...).”  (Grifos nossos.)

Poucos países apresentam a mistura de povos e culturas como o Brasil 
Esses fatos indicam, claramente, a intervenção espiritual nas ações humanas, e, neste caso, destaca-se a participação dos indígenas, que bem cumpriram seus papéis, não só facilitando essa ocupação do litoral pelos portugueses, mas com seu trabalho escravo – grande número deles sucumbiu, não resistindo aos maus-tratos e aos esforços despendidos. E quase não se divulgam esses fatos!

As mulheres índias – até então, únicas mulheres nesta nova terra – foram as mães generosas dos ‘primeiros’ brasileiros mestiços, filhos delas com europeus.
Extraordinária, ainda, a influência na formação da língua falada no Brasil e nos hábitos alimentares, que perduram até hoje e prosseguirão tempos afora! 

3. Há características de nosso país que o diferenciam acentuadamente de outros povos, de outras nações.

“Poucos são os que destacam a mistura de povos e culturas que há aqui. Caso único no Mundo. São realmente uma coisa estranha essas misturas, não apenas no sangue, mas nos vários aspectos culturais. Aqui se misturam religiões, artes plásticas, músicas, culinárias etc. As variabilidades de receitas de macarronada, aqui trazidas pelos italianos, e que assustam os próprios italianos. O quibe, iguaria árabe, recheado com a italiana ricota. O prato caracteristicamente brasileiro, o feijão com arroz, é também uma mistura ‘sui generis’ e, segundo os estudiosos de nutrição, mais nutritivo que cada um de seus componentes, se comidos em separado. (...)

No Brasil o que se espera não é apenas um desenvolvimento material, mas o desenvolvimento espiritual. É o laboratório onde se prepara uma nova civilização baseada em valores espirituais. (...)” 3  (Destacamos.)
4. Resumo de artigo de S. Xavier4, que registra algumas marcas de nossa personalidade coletiva:
– A mistura étnica favorece aceitação de homens de outras pátrias, com naturalidade;
– A quase ausência de guerras e conflitos internos de vulto favoreceu cultura de paz;
– As numerosas obras assistenciais, em sua maioria religiosas, atestam a vitalidade do ideal da fraternidade operante;

– A solidariedade presente nas relações de vizinhança, especialmente nas camadas humildes, é facilmente percebida por observadores estrangeiros, que nos visitam, salientam e admiram esse fato;
– A mediunidade realiza aqui obra extraordinária, cuja importância não nos é dado alcançar completamente, mas que certamente não se destina apenas ao nosso meio, devendo beneficiar, progressivamente, outros povos; (Grifos nossos).

 – Nosso ingresso no contexto moderno data da chegada da família real, em 1808, com a instalação de bibliotecas, tipografias, indústrias e de outras instituições com mais ampla autonomia. 
Para o estrangeiro, o melhor do Brasil é o povo, mais do que as praias e o clima tropical 
5. “Fachos de luz do Brasil acordam tripulantes da Mir”5 [Mir, em russo, significa simultaneamente paz, mundo e universo. Foi a primeira estação orbital de pesquisa científica habitada por longo prazo, no espaço.]

Em resposta ao jornalista sobre como via o Brasil, olhando-o do Cosmo, Iuri Romanenko, astronauta russo, autor da revelação, afirmou: “(...) os cosmonautas sabem quando estão sobre o Brasil, mesmo dormindo, porque percebem pequenas explosões de luz (...)” que ferem suas retinas.
Atribuem-nas ao minério de ferro; mas há esse minério em outros países, sem ocorrer esse fenômeno.

Cientistas (...) não encontram explicação para o fato de somente o Brasil emitir essas luzes especiais, “(...) uma anomalia não verificada em nenhuma outra parte da Terra”, segundo o cosmonauta.  (Grifo do original.)

6. “Um jeito brasileiro de ser” é o título de uma reportagem da Revista ISTOÉ6. Eis alguns excertos:
“Para o estrangeiro, o melhor do Brasil é o povo, mais do que as praias, a natureza e o clima tropical.” 

O país do mar, sol, carnaval e futebol é admirado aqui e lá fora pelos seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados de corpo belíssimo. Mas quem o conhece de perto sai apaixonado mesmo é pela alma tropical e mestiça do Brasil: o seu povo, sofrido, mas, sem dúvida, generoso.

Turistas estrangeiros vêm para cá atraídos pelas praias em primeiro lugar (31%), pelo clima tropical em segundo (20%) e pela beleza natural do País em terceiro (16%). Apenas 8% citaram o povo brasileiro como razão de vir ao Brasil para suas férias.

Na saída, essa equação se inverte. Ao deixarem o País, mais da metade dos estrangeiros constata, diante da pergunta ‘O que tem de mais positivo no Brasil?’, seu povo (52%). A alma do nosso país passa a ser vista como nosso grande patrimônio e o corpo surge em segundo lugar: as praias e o mar (28%); beleza natural do País (22%); e o sol e o clima tropical (19%). É o que revelou pesquisa com 1.203 turistas no Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza e Manaus, pelo Instituto Vox Populi, encomendada pelo Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), ligado ao Ministério do Turismo.

Um professor alemão diz que “o que mais se admira no Brasil são os brasileiros, que ele descreve como ‘crianças crescidas’. São pessoas puras, muito amistosas e de coração aberto. Não temos esse tipo de coisa na Europa”.

Apesar da pobreza e da violência que os faz vítimas constantes, os “gringos” saem encantados com os brasileiros, que para eles são “amigáveis, alegres, felizes, simpáticos, amáveis, cordiais”. Sentem-se bem acolhidos, pois o povo os recebe de “forma afável e prestativa”. 
Os estrangeiros veem nos brasileiros uma grande tolerância com outras religiões e costumes 
Um dos maiores antropólogos do País, Roberto Damatta, brinca ao saber da pesquisa: “Só nós é que não vemos isso”. Considera “gratificante” o resultado do estudo, “principalmente para aqueles que como eu sempre escrevi a favor do Brasil”. Trata-se de visão insuspeita, segundo Damatta. “Isso mostra que o custo Brasil não é só negativo.” Segundo ele, os estrangeiros sentem no País uma abertura para o novo e sentem que o brasileiro tem grande capacidade de gerenciar diferenças.

(...) Em vários momentos, a pesquisa demonstra que a melhor lembrança que os turistas levam para casa é a do povo brasileiro.

(...) Os estrangeiros veem nos brasileiros uma grande tolerância com outras religiões e costumes, ao contrário de muitos povos no conturbado mundo de hoje; 94% concordaram com a afirmação “O povo brasileiro é respeitoso e aberto aos estrangeiros”.

Essa facilidade do brasileiro em abraçar povos diferentes pode encontrar explicações no “cunhadismo” – que, segundo Darcy Ribeiro em seu livro O povo brasileiro, é a instituição social que possibilitou a formação do nosso povo. Tratava-se de antigo hábito dos índios de incorporar estranhos à aldeia.
7. Darcy Ribeiro, em seu livro “O povo brasileiro – A formação e o sentido do Brasil”7, escrito e reescrito ao longo de trinta anos, como “(...) um gesto meu na nova luta por um Brasil decente”, fala do brasileiro como uma etnia nova, formada por índios, africanos e europeus:

“(...) um povo novo, feito de gentes vindas de toda parte”. “(...) a grande herança histórica brasileira é a façanha de sua própria constituição como um povo étnica, nacional e culturalmente unificado”.

“No Brasil, de índios e negros, a obra colonial de Portugal foi também radical. Seu produto verdadeiro não foram os ouros afanosamente buscados e achados.

(...) Seu produto real foi um povo-nação, aqui plasmado principalmente pela mestiçagem, que se multiplica prodigiosamente como uma morena humanidade em flor, à espera de seu destino. Claro destino, singelo, de simplesmente ser, entre os povos, e o de existir para si mesmos.”

Assinala que o escreveu “movido por razões éticas e por um fundo patriotismo (...) que aspira a influir sobre as pessoas, que aspira a ajudar o Brasil a encontrar-se a si mesmo”.
Dorival Caymmi conclui a belíssima letra de ‘João Valentão’ com os versos:

“E assim adormece esse homem
Que nunca precisa dormir pra sonhar
Porque não há sonho mais lindo
Do que sua terra, não há!”

Nosso renomado antropólogo, Darcy Ribeiro (1922-1997) – em sintonia com essa poética declaração de amor ao Brasil – conclui seu precioso livro com o formidável texto:

Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da Terra”.
Haverá, certamente, outras ocorrências marcantes, relativas à Pátria do Evangelho! Destacamos aquelas que são de nosso conhecimento. Quem souber de outras que mereçam ser divulgadas, que as apontem! 
 
Referências bibliográficas: 
1.                  XAVIER, Francisco C. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Pelo Espírito Humberto de Campos. 12. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1979, p.19, 36, 23/4 e 25, respectivamente;
2.                  HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 10 ed. Rio de Janeiro, J. Olympio, 1976, p. 71-72.
3.                  CHAGAS, Aécio P. e VICHI, Eduardo J. S. REFORMADOR, Rio de Janeiro, v.111, p. 208/210, jul. 1993: “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho?”;
4.                  Boletim SEI 1673, de 22.04.00;
5.                  Reportagens da Folha de São Paulo, de 09 e 10.12.88; citadas por Reformador set/90, p. 262;
6.                 Revista ISTOÉ, Edição 1840, de 19.01.2005, reportagem com o título: Um jeito brasileiro de ser, das jornalistas Ana Carvalho e Florência Costa (Colaborou Celina Côrtes);
7.                 RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 247, 68, 17 e 455, respectivamente.
 

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