quarta-feira, 28 de novembro de 2012

USE promove discussão sobre os resultados do Censo 2010

Os números divulgados pelo IBGE apontam excepcional crescimento do contingente espírita entre 2000 e 2010 

Quem somos? Quantos somos? Onde estamos? O que o contingente espírita paulista representa no meio espírita nacional? Estas e outras perguntas foram respondidas em oficina realizada pela USE Regional São Paulo, ocorrida em 17 de novembro de 2012. Com o título “Censo IBGE 2010: desafios e oportunidade para a difusão do Espiritismo em São Paulo”, a iniciativa foi coordenada por Jeferson Betarello (membro da USE Regional SP, escritor e Mestre em Ciências das Religiões pela PUC SP) e contou com a presença de lideranças da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, dos presidentes da USE Regional paulista, USE Carapicuíba, USE Casa Verde, USE Cotia, USE Guarulhos, USE Lapa, USE Pinheiros, USE Tatuapé, USE Vila Maria e dos pesquisadores Felipe Gonçalves e Ivan Franzolim.
Na primeira parte da Oficina os participantes foram convidados a dialogarem sobre a necessidade de conhecermos o público frequentador das Casas Espíritas, essencial para traçarmos o rumo de cada instituição. Foi abordada, ainda nesta primeira parte, a necessidade da liderança espírita estar atenta para a mensagem que é passada ao público através da fala e, também, da postura enquanto dirigentes espíritas.

Encerrando a primeira parte da oficina, Betarello fez uso de textos extraídos da Revista Espírita, de autoria de Allan Kardec, para demonstrar a orientação do Codificador quanto à necessidade de quantificarmos e qualificarmos os adeptos do Espiritismo. Houve intensa participação de todos os presentes que demonstraram preocupação com mudanças e informações que levem ao aprimoramento das tarefas executadas em prol do Espiritismo. 

Números do crescimento espírita 

A segunda etapa baseou-se em análise dos dados extraídos do Censo IBGE 2010, cujos resultados foram divulgados em 2012. Por meio de planilhas e mapas, o facilitador demonstrou que o contingente espírita foi o que mais cresceu nos últimos anos dentre os contingentes religiosos do Brasil, porém continua maior a concentração de adeptos nos grandes centros urbanos, especialmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Em todo o território nacional a população cresceu 12%, enquanto os espíritas cresceram 70%. No estado de São Paulo, enquanto a população teve crescimento de 11%, o número de espíritas foi ampliado em 74%. Já na cidade de São Paulo o contingente espírita teve um aumento de 85,6% em uma década, saltando de 286.600 pessoas (2,75% da população) para 531.822 (4,73% da população). Apenas para comparação do significado desses números, os espíritas têm hoje, na capital paulista, um número de adeptos tão grande quanto a maior igreja evangélica do país.

A meu ver, devem ser criadas estratégias para divulgar e utilizar essas 
Sidnei Batista, membro da Diretoria Executiva da USE Estadual
Felipe Gonçalves, pesquisador espírta,
e Adonay Fernandes
Jeferson Betarello, coordenador da
Oficina, e Ivan Franzolim
O livro Unir para Difundir - o impacto das federativas no crescimento do Espiritismo
foi muito procurado pelos presentes
Público durante o intervalo
informações, permitindo que as lideranças espíritas possam atuar de forma planejada no sentido de manter o crescimento com qualidade e também fazer com que haja um aumento mais consistente em termos presença espírita em todo o território paulista”, opina Jeferson, que demonstrou grande satisfação com a presença de líderes interessados na exposição e com a manifestação das USE Regional e Estadual São Paulo no sentido de levar adiante ações que permitam a divulgação destas informações visando melhorar a gestão do espaço territorial ocupado pelos órgãos de unificação da Capital e do interior paulista.

Neste sentido já foram agendadas reuniões para dar sequência na divulgação e utilização das informações utilizadas ao longo da Oficina, a primeira delas para 16 de fevereiro de 2013. Além disso, o material elaborado pelo pesquisador Jeferson Betarello (com os dados aqui mencionados e muito mais) pode ser solicitado pelo e-mail contato@useregionalsp.com.br
Reflexões importantes 

Como podemos notar, o estudo aprofundado dos dados gerados por uma pesquisa nacional traz números extremamente positivos para a Doutrina Espírita, bem como nos leva a reflexões importantes. A primeira delas é o fato de que ser espírita é uma decisão íntima, que vai além de ir regularmente a uma reunião Casa Espírita e tomar passe. Ser espírita significa ter conhecimento mínimo da Doutrina Espírita, segundo a base deixada por Allan Kardec, buscando a sua prática e dando sua colaboração para que ela cresça e chegue a todos os que a buscam. Dessa forma, o número contabilizado pelo Censo (atualmente 3.848.876 em todo território nacional) não parece ser inferior ao que temos, de fato, dentro do movimento espírita.

Outro ponto significativo é o crescimento do número de pessoas que se declaram “sem religião”. Muitas dessas pessoas, provavelmente, optam por esse caminho por estarem em busca de uma fé raciocinada como o Espiritismo, que possui aspectos científico, filosófico e moral (ou religioso). Abrir mão de um deles ou dar maior ênfase a um é diminuir a grandiosidade da mensagem espírita e restringir o acesso do público às informações que poderão modificar sua forma de viver. Muitos justificam essa atitude com a afirmação de que o público só quer ouvir determinada parte doutrinária ou, ainda, que as pessoas da Casa não têm condições de entendimento de temas considerados mais profundos.

No primeiro caso, cremos que o Dirigente tem o dever de divulgação da Doutrina e ele deve ser mantido acima de tudo. Quanto ao segundo, todo tema pode ser compreendido pelas pessoas que vão à Casa Espírita, desde que os trabalhadores se preparem adequadamente para que a mensagem possa ser captada por todas as pessoas, independente de grau de instrução ou idade.

Em outras palavras, as lideranças devem se preparar para a execução de sua tarefa de divulgação doutrinária e para isso o estudo - e a reflexão - das obras básicas é imprescindível, assim como a troca de experiências e a utilização de dados seguros, como os fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que devem ser analisados e utilizados no planejamento de ações estratégias que beneficiem o crescimento qualitativo no Espiritismo no Brasil. 

Fonte: o Consolador uma Revista Semanal de Divulgação Espírira


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